Chávín de Huántar, Peru.

Templo do som, da Huachuma.. da dualidade.

O sítio arqueológico de Chavín de Huántar no Peru.

Templo do som, da Huachuma... da dualidade.

Na madrugada do dia 23 out 2016, sob uma Lua clara em quarto minguante, eu e Carlo Brescia entramos no sítio arqueológico de Chavín de Huántar para gravar uma sessão de tigelas de metal do Himalaia para seu filme ‘Peregrina’.

O que se passou ali foi guiado pelo do som, pela medicina, pela arquitetura e pelo espaço – berço de toda cosmologia ancestral peruana, num encontro de pura harmonia com Pachamama e o Cosmos.

Maquete do sítio arqueológico, ao centro El lanzón, à direita imagem encravada na pedra de Xamã com o cacto sagrado e o Pórtico de las Falcónidas.

Antes de chegar à Chávin tinha ouvido do Maestro Tito La Rosa que ‘Chávin’ era o templo do som e da Huachuma, o templo da dualidade. Ouvido de Tito sobre os pututos que foram ali achados em uma escavação e sobre o trabalho de arqueologia acústica feito no local mas Tito, generoso Maestro e amoroso Mestre, apenas me mostrou o caminho…
Ele me disse: Que bom que você vai à Chávin Luiz… (pausa) Seria ótimo se você tocasse suas tigelas lá.
Senti que seria mesmo, mas até aí…

Vista frontal da praça principal do sítio arqueológico.

Bom, eu sabia que iria à Chávin pois tinha levado as tigelas pro Peru, aceitando o convite de Carlo, para que gravássemos algo que pudesse, ou não, ser usado como trilha do seu filme. Carlo tinha me dito que seria importante antes de gravarmos que eu me ambientasse com as montanhas (com a energia dos Andes) e que fôssemos juntos conhecer ‘Chavín de Huátar’ que servira de locação para o seu filme.

Naquela época, antes de ir ao Peru, Carlo me disse que seu vídeo não era um vídeo ‘normal’ já que a sua intenção era a de fazer um vídeo que atuasse nos diferentes corpos de quem o visse, um vídeo que ele chama de ‘vídeo medicina’.  Ouvi… e me lembrei de ter escutado do Guru Premangee, lá no Nepal, sobre a possibilidade de se fazer um audiovisual que tivesse essa pegada: a da cura, da transcendência e de contato com o Divino.

Ok eu sei, eu sei, tudo a seu tempo e eu no meu passinho, passo a passo indo ao encontro e materialização do que há muito tempo eu sei, algo que tantos sempre souberam e hoje tantos sabem: de que ARTE + ESPIRITUALIDADE = C U R A.  E se o 1º aviso, o do Guru, serviu para me confirmar algo que eu sempre senti, esse 2º – o de ser convidado para tocar num vídeo medicina, me deixou certo do caminho a seguir.

Deixei rolar e tudo fluiu, encontrei Carlo em Huaráz num dia e no outro chegamos à cidade de Chávin. Dormimos um pouco e as 4am entramos no sítio arqueológico para fazer algo que foi muito mais do que uma gravação sonora, algo para que as palavras não conseguem nem de longe descrever o que vivemos e sentimos enquanto eu tocava, e nós ouvíamos, as frequências sonoras da tigelas de metal do Himalaia que ressoavam pela praça Circular e depois dentro de uma das salas subterrâneas das galerias do Templo Novo.

Uma das galerias subterrâneas.

Ao entrarmos na galeria subterrânea, que fora construída especialmente com o propósito acústico e de separação temporal/espacial, me senti estranho, oprimido, claustrofóbico e ofegante. Respirei fundo e continuei andando, seguindo os passos do Carlo que ia à minha frente. Pedi mais uma vez licença para estar lá, para fazer o que iríamos fazer e depois de intermináveis segundos chegamos em uma pequena sala onde o ‘silêncio’ era incrível, a energia também, uma energia limpa, neutra, calma, serena. Me sentei num dos cantos, Carlo na minha frente e entre nós as tigelas do Himalaia. Nos concentramos embalados pela abuela e depois de alguns instantes eu comecei a tocar. Toquei por 55′ e quando acabou… Bom demorei um dia inteiro pra entender e me ligar que o que pensei, ou melhor ouvi, numa hora específica dessa sessão, era na verdade a chave para tudo o que tínhamos vivido: COMUNHÃO CÓSMICA, COMUNHÃO CÓSMICA, COMUNHÃO CÓSMICA.

Abaixo alguns trechos do que gravamos nesta sala:

Quando acabamos e muitos minutos depois, quando o som acabou de ressoar pelo templo e pelos nossos corpos, saímos dos túnel irradiando felicidade e alegria. Felicidade e alegria de termos vivido um momento único de união e comunhão com o Cosmos, com Pachamama e com nós mesmos filhos que somos dessa união e desse amor.
 

Carlo Brescia e Luiz Duva

Carlo Brescia e Luiz Duva

Agradeço, agradeço, agradeço.
Agradeço e agradeço.
E agradeço…
Agradeço à Deus e ao Som Curador por mais esta chave que virou. Agradeço ao Carlo hermano querido de caminhada, à abuela que chegou na minha vida da forma, na hora e do modo que tinha que ser e agradeço muito, muito mesmo a vida e à Chávin de Huátar por me receber, acolher e me iniciar nos mistérios siderais.

Agradeço também ao amigo Dino Vicente pela gentileza da masterização dos áudios.